Colo de mãe

Somente depois de andar por terras estranhas é que pude reconhecer a beleza da minha morada. A ausência mensura o tamanho do local perdido, evidencia o que antes tornou-se oculto, por força do costume. Abri o portão principal como alguém abria um cofre que resguardava valores imensuráveis. Olhei minha mãe como se fosse a primeira vez. Olhei como voltasse a ser criança pequena e estivesse a descobrir-lhe as feições maternas. As vozes do passado estavam reinauguradas. Deitei-me em seu colo como se quisesse realizar a proeza de ser gerado de novo. Enquanto suas mãos desenhavam carinhos sobre os meus cabelos, um outro movimento atingia minha alma. Mãos com poder de sutura existencial. Alinhavos que os dedos amarravam, enquanto o quente daquele colo me devolvia ao meu corte original. A mulher em silêncio, meu melhor lugar

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Publicado por

marceloreginato

O conhecimento serve para encantar as pessoas, não para humilhá-las.

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