Anúncios

Imaginemos que o primeiro pecado não tivesse ocorrido. Suponhamos que Adão passasse seus inacreditáveis 930 anos de vida (ou mais se tivesse ficado no Éden) em completo afastamento da árvore fatídica. Teria sido cumprida toda a arquitetura divina moral e nunca teríamos experimentado a morte e o sofrimento. Mas… a Bíblia terminaria ao final do capítulo 2 do Gênesis. Toda narrativa sagrada seria resumida aos dois capítulos iniciais, ou a uma descrição insuportável e longa do cotidiano paradisíaco. O diário de Eva registraria, milênio após milênio, constatações como “dia radioso, Adão me ama mais hoje do que ontem, noite tranquila de sonhos perfeitos, tatatataranetos atenciosos e delicados comigo…” Sem a transgressão, não teriam surgido Abraão, Moisés, os Salmos de Davi, as profecias de Isaías e a própria figura de Jesus. Nenhum apóstolo teria despontado e nenhum santo teria surgido. Sem a argila do pecado, o edifício imponente do plano divino seria reduzido à choupana de Adão. O pecado, como já foi dito, humanizou-nos, mas também despertou a história. Sei que é difícil para alguém que tem fé, mas deveríamos reconhecer que somos filhos de Deus e do Diabo. Em um famoso hino de Páscoa, a igreja cristã chega a dizer que a culpa de Adão é feliz, pois mereceu um tão grande redentor. Oh Felix culpa! Que culpa feliz que teve remédio tão doce. O pecado original é a marca da humanidade e é seu berço também. Mais: graças ao pecado original, veio o salvador.

Anúncios

One Comment on “O pecado é necessário

%d blogueiros gostam disto: