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Somos nosso próprio inferno – valorizamos o que não merece atenção, encarceramos o que era livre em nós.
Aventamos palavras de amor como se amar fosse esse sentimento líquido que banha a todos os que vieram e virão; não existe amor sem raiz, existe? Não falo dos contratos verbais e corporais que apodrecem conforme a facilidade de sua conquista – falo do amor fermentado, do amor que sedimenta – do amor que dure enquanto for infinito. E amar inevitavelmente é amar-se: não há sentimento nobre sem pessoa, e “pessoa”, numa bela interpretação da antropologia religiosa é quem “dispõe de si para depois dispor-se ao outro” – como daremos o que não temos?
Um erro vulgar é acreditar que amar-se tem a ver com posturas egocêntricas, com condutas afetadas, que só nos levam a uma existência insular; é sábio quem é pouquinho de terra cerceado por um mar de pessoas que não o toleram? “Ah, eles são os desimportantes, não estou nem aí” – já sabemos que essa frase é a cereja do bolo da solidão desesperadora. Pertencer é um sistema complexo e muito intenso: primeiramente, precisamos ser senhorios de nossas pertenças; depois, precisamos ser livres pertenças aos que nos querem pertencendo – e tudo de forma fluida, sem solavancos.
A solidão é uma coisa legal? Claro que sim! Mas compulsória e ininterrupta é o que há de mais triste.
Vamos conduzir nossas vidas, vamos pertencer, vamos nos dar, e que aceitemos receber.
Chega de ser folha; sejamos vento.

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