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Existe uma dificuldade, que não é própria ao amor, mas a uma série de coisas que fazem parte da nossa vida, que é a de ter uma única palavra para dar conta de uma pluralidade quase ilimitada de ocorrências diferentes entre si, com naturezas distintas. Tomemos como exemplo algo infinitamente mais simples que a ideia de amor: a banana. Essa palavra, evidentemente, faz pensar em alguma coisa. Acredito que qualquer pessoa que se aventure a pensar numa banana deve chegar a um resultado imaginativo bastante parecido. A palavra, porém, precisa abranger uma infinidade de tipos de banana. E o que é pior: nenhuma banana no mundo é igual a outra, mas a palavra é uma só. Mesmo que alguém escolha uma única banana e resolva, arbitrariamente, atribuí-la àquela palavra para defini-la, terá um problema. Pois a fruta vai apodrecer, e continuaremos com a mesma palavra para representar algo que não para de se deteriorar. Como fazer, portanto, para que essa óbvia pobreza de linguagem dê conta de uma riqueza infinita de materialidade afetiva? Essa é uma solução complicada porque, no fim, quem está diante de uma única palavra talvez, por isso mesmo, espere por uma única definição, que deve compreender infinitas ocorrências que têm a pretensão de encaixar-se nessa categoria, representadas por essa palavra. No caso do amor, essa é uma dificuldade de quase invencível. Digo isso porque, ao longo dos meus 37 de vida, creio já ter amado muitas vezes, e não vejo como seria possível reunir todos esses sentimentos sob uma única palavra. Seria abusivo. Por isso, repito: talvez o grande problema, que precisa ser enfrentado, seja ter uma única palavra para manifestações afetivas tão diferentes. Essa é, portanto, uma pequena dificuldade que qualquer pessoa que vá falar sobre esse assunto terá de enfrentar. Mas é uma dificuldade que, de certa maneira, é comum a outras questões e a outros objetos de que a filosofia costuma tratar.

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