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É amargo… A maneira hostil e agressiva (mesmo que apenas em pensamento) com a qual reagimos a algum julgamento mostra quanto com ela concordamos; há a possibilidade da irascibilidade nascer da perplexidade, do absurdo – mas geralmente ocorre o primeiro caso.
É algo mais profundo que a velha história do axioma “a verdade dói” – primeiro porque qualquer verdade jamais será absoluta, segundo porque, corroborando o primeiro, somos instáveis e nada metafísicos – terceiro porque a bagunça dos calabouços do inconsciente nunca é a mesma: até o que comemos nos faz estar; até o que dormimos nos é, até quem beijamos ou não nos cria.
Nós costumamos endossar as agressões a nós endereçadas, e não é uma dinâmica consciente; é amargo… Por mais que façamos de tudo para fazermo-nos crentes de que não conhecemos nossos defeitos, de fabricação ou adquiridos, sempre os sabemos – parte da raiva de quando são expostos nasce deste flagrante atemporal, escancarando o que mais tememos público; então a selvageria química passa a reger nossa mente – tornamo-nos assassinos em pensamento, esquartejadores em imaginação, monstros guardados à sombra (um trocadilho com o termo da psicologia) – que passamos a vida tentando não ser. Podemos levar uma vida reta e proba, podemos enjaular o que nos é selvagem, mas nunca deixaremos de existir como animal cruel – e as verdades que nos dizem nos lembram sempre disso.
Está bravo(a)?

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One Comment on “Refração

  1. Pingback: Refração – Erudiçãoinformativa

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