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Dificilmente estaremos satisfeitos como ostentamos; quase nunca sorrimos a alegria que postamos; nem somos tão bonitos como fingimos que achamos. A segurança publicada, sabemos, é inversamente proporcional à vivida – nem acreditamos que nossa inabalável alegria vai colar. Este teatro aparentemente inocente nos enlouquece em homeopatia, precisamos de sabedoria e serenidade para percebermos e lidarmos com o contraste entre quem somos e nossa persona.
Se quisermos ser sucintos, podemos dizer que hoje todos somos conhecidos, todas as mulheres são capas de revistas – o que é o Instagram se não uma revista existencialmente “regional”? Hoje todos podem mostrar o que fazem de bom, quão bonitos somos, quanta alegria fingimos ter. E é em “fingir” que mora o perigo: se nos misturarmos muito a nossos personagens, nós enlouquecemos – uma persona é sadia e até muito natural, mas temos de sabê-la como tal, embarcar nas próprias mentiras animicamente publicitárias só nos definhará em sanidade.
A natureza dos nossos avatares nem requer muita imaginação: ninguém quer mostrar o seu pior, o “lado ruim” é o retrato da derrota – fabricarmo-nos vencedores é até vital, ninguém sovreviveria apenas em suas misérias.
Com isso eu peço que continuemos imaginativos, mas sempre percebendo-nos autoficcionistas. Oquei?

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One Comment on “Avatares

  1. Pingback: Avatares – Erudiçãoinformativa

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