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Nada é tão moral quanto agir de acordo com a própria idiossincrasia – pessoas autênticas e inteligentes correm dos arautos da verdade, das cordas que nos controlam à marionetes; do fascismo político, que faz o ordinário ulular como ouro; da fé sem questionamentos, que trabalha contra a sapiência e a humanização; e do consumo (fizeram-nos crer que não há como sobreviver longe das tranqueiras que nos vendem) – mas essas pessoas andam cada vez mais em silêncio, perceberam que os porcos já rejeitam pérolas há muito tempo; e quebrar vidraças, aparentemente, dá mais resultado do que tentar intelectualizar analfabetos funcionais e/ou zumbis sociais.
Num mundo tão avatarizado, fica assaz difícil agir de acordo com nossa própria essência: ninguém se percebe; e a preocupação com o autoconhecimento é cada vez menor em relação à falsa autoimagem que nos empenhamos em aventar – viver fora das paredes virou programa de índio, metafórica e literalmente. Frases como “não estou nem aí” só demonstram o quanto de preocupação há com a imagem que outrem faz de nós, e não há melhor e mais rápido meio de mostrar o ser adequado, ajustado e pertencente que interpretamos do que toda a comunicação ininterrupta dentre as grades das redes sociais – aliás “grade” é um bom termo: enxerga-se a liberdade sem jamais alcançá-la. Grades Sociais.
A felicidade plena que ostentam, em mentiras deslavadas, com fotos triviais, soa-me (e até a quem as publica) mentirosa, cinza; a felicidade solitária cabal (há dores e delícias em ser só, em sermos nós e a solidão – mas até Nietzsche a trocaria por verdadeira companhia) é o retrato colorido da falta de opção.
Insatisfação faz parte de qualquer existência sã (creio que até os extremamente loucos são insatisfeitos), comportamento pueril tentar mostrar-se superior ao mais genuíno dos sentimentos humanos.
Sou tão darwinista quanto criacionista, e prefiro acreditar que o encaixe perfeito dos nossos órgãos sexuais é muito mais que uma ferramenta meramente reprodutiva.
Estão aí os homossexuais, de sexo complicado e amor legítimo, para corroborar o nosso lado não-bicho.
Por fim: amor e autoconhecimento – só assim nos humanizamos.




		
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One Comment on “Grades

  1. Pingback: Grades – Erudiçãoinformativa

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