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Às vezes, temos a necessidade da certeza absoluta, assim como temos a necessidade da certeza de que a pessoa que nos ama nos ama. Talvez, o campo dos afetos seja onde isso fica mais evidente. Não é à toa que, quando pensamos na origem da palavra “afeto”, do latim afeccio, chegamos à palavra “afecção”, em português. “Afecção respiratória”, “afecção cardíaca”… É doença, assim como pathos, do grego. Duas coisas me interessam muito nesse assunto: em primeiro lugar, o fato de o afeto estar relacionado àquilo que em nós é doença–mas não doença no sentido banal da palavra, e sim no sentido daquilo que nos afeta para além da nossa capacidade de autonomia. Quando somos afetados por alguma coisa, significa que não temos controle sobre ela. E há um segundo ponto, mais relacionado ao momento histórico, que também me interessa muito no tema do afeto. A modernidade é uma época que tem por objetivo controlar tudo. E o afeto, por definição, é aquilo que não é controlável. A minha hipótese é de que, talvez, não exista nenhuma outra época histórica que tenha como objetivo a eliminação completa dos afetos. Minha impressão é que o mundo contemporâneo tem como projeto, entre outros, um lugar onde não exista amor nenhum. Não porque todo mundo se odeie, não esse papo anticristão, mas porque ninguém sinta mais nada. Eu vejo em temas como o poliamor, por exemplo, um desses sintomas. Pois amor é afeto, e afeto é sofrimento, perda de controle; afeto é alegre, é triste–como dizia Espinosa, “uma paixão alegre e triste”. O afeto é ali onde não se consegue decidir por si só, onde não se consegue ter controle absoluto da situação. Então, vem o mistério,Porque se não amarmos uma pessoa do jeito que ela quer, o mundo acabou. Na verdade, quando falamos em amor, pode ser amor pathos, paixão; amor philia, amizade; amor eros, mais relacionado ao dínamo, ao desejo; amor ágape, compartilhamento cristão.
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