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A maturidade não é etapa de solidão. O homem, na luta com os homens ou com as coisas, se esquece de si no trabalho, na criação ou construção de objeto, ideias e instituições. Sua consciência pessoal une-se a outras: o tempo adquire sentido e fim, é história, relação viva e significativa, com um passado e um futuro. Nossa existência particular se insere na história.

Assim o homem maduro atacado pelo mal da solidão constitui, nas épocas fecundas, uma anomalia. A frequência que encontramos agora esta espécie de solitários, indica a gravidade de nossos males. A solidão promíscua dos hotéis, das oficinas e dos cinemas não é uma prova que afine a alma, não é um purgatório necessário, creio eu que está mais para condenação, espelho de um mundo sem saída. Um labirinto com saídas muito difíceis. Com toda humildade, eu o chamaria de ” o labirinto da solidão’. E não é rodear-se de pessoas vazias que verás a luz no fim do tunel.

O homem contemporâneo racionalizou mitos que não consegue destruir. Muitas das verdades científicas, concepções morais, políticas e filosóficas, são apenas novas expressões de tendências que antes enrcanavam de forma mítica. A linguagem racional do nosso tempo apenas encobre antigos mitos. A utopia, principalmente a política, expressão esses mitos com violência concentrada. Desmistificar esses mitos voltará a fazer que a sociedade volte a sua liberdade original. E voltará o reino do presente.

O duplo significado da solidão: ruptura com o mundo e a tentativa de criar outro, manifesta se na nossa concepção de heróis, Santos e redentores. O mito, a biografia, a história e o poema registram um período de solidão e de retiro, que precede a volta ao mundo e a ação entre os homens. Anos de preparação e de estudo, anos de sacrifício e penitência. Assim a solidão é a ruptura com o mundo caduco e preparação para o progresso. Todo o complicado e rígido sistema de proibições, regras e ritos tende a mante-lo em solidão. O tempo fará com que a dúvida, a escolha forçada entre o bem e o mau, discernimento entre justiça e injustiça, distinção entre o real e o imaginário deixarão de nos torturar.

É importante um centro, um nó de relações que limitem a ação individual e protejam o homem da solidão, evitando assim a dispersão.

O homem moderno tem a prevenção de pensar acordado, levando aos corredores de um sinuoso pesadelo, onde os espelhos da razão multiplicam as câmaras de tortura. Ao sair, talvez, descobriremos que tínhamos sonhador olhos abertos e que os sonhos da razão são artroses.

Talvez, então, comecemos a sonhar outra vez com os olhos fechados.

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One Comment on “Congecturas sobre a solidão

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